O que é a Teoria do Apego
A Teoria do Apego foi criada na década de 1950 pelo psicanalista britânico John Bowlby e desenvolvida posteriormente pela psicóloga americana Mary Ainsworth. De acordo com esta teoria, o vínculo que se forma entre a criança e seu cuidador primário determina a maneira como ela irá se relacionar e lidar com relacionamentos futuros.
A psicóloga e terapeuta de casais Kristina Jordan explica que "o principal objetivo do bebê é manter a proximidade com seu cuidador."
Do ponto de vista evolutivo, este comportamento é indispensável para a sobrevivência. Bowlby acreditava que as crianças observam os seus pais e desenvolvem estratégias para permanecerem perto deles e se sentirem seguras. De acordo com a teoria, existem quatro estilos de vinculação: 1. Vinculação segura 2. Vinculação evitante 3. Vinculação ansiosa ou insegura 4. Vinculação desorganizada ## Vinculação Segura A especialista em relações Katarzyna Peoples define a vinculação segura como a capacidade de criar relações estáveis, saudáveis e duradouras. A coluna é construída sobre crianças que tinham cuidadores emocionalmente disponíveis e podiam buscar ajuda ou confirmação sem medo de punição. A Peoples explica que "as crianças aprendem confiança não apenas com o comportamento dos seus pais, mas também através do exemplo deles. Assim, as raízes do apego seguro são plantadas desde a infância e desenvolvem-se ao longo da vida. ### Indicadores de Apego Seguro - Comunicação eficaz - Alta autoestima - Facilidade na criação de laços - Confiança nos outros - Capacidade de buscar apoio emocional - Regulação emocional - Tolerância à solidão - Gestão saudável de conflitos ### O Apego Seguro nas Relações A Peoples salienta que "quando alguém cresce com segurança e confiança, está em posição de construir relações baseadas na compreensão e na amor. Essas pessoas são tipicamente positivas, confiáveis e indulgentes com seus pares, sem ciúmes excessivos ou necessidade de controle. ## Apego Evitativo O apego evitativo é caracterizado pela fuga da proximidade emocional e física. Este estilo geralmente se desenvolve quando a criança cresce com pais emocionalmente frios ou distantes. Kristina Jordan observa que "alguns pais não são indiferentes, mas estão principalmente preocupados com questões práticas, como desempenho escolar ou obediência, negligenciando as emoções e necessidades da criança". Peoples acrescenta que "essas crianças aprendem a confiar apenas em si mesmas e a evitar a dependência dos outros, criando uma falsa sensação de independência". ### Sinais de Evitação de Apego - Forte necessidade de independência - Evitação Proximidade física ou emocional? • Dificuldade em expressar sentimentos • Tendência a ver os outros como ameaça • Desconfiança • Convicção de que não precisam de ninguém • Preferência pela solidão ### A Evitação do Apego nas Relações A Peoples explica que os indivíduos com evitação do apego têm dificuldade em desenvolver intimidade emocional. Podem manter comunicação, mas evitam relações emocionais profundas. Os cuidadores frequentemente sentem que o relacionamento se solidifica com calor ou reciprocidade.Apego Ansioso ou Inseguro
O apego ansioso desenvolve-se devido a cuidados inconsistentes na infância. Os principais fatores são:
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Medo de abandono
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Medo de rejeição
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Necessidade excessiva de aprovação dos outros
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Necessidade de validação
Peoples explica que "crianças que crescem com cuidadores inconsistentes nunca sabem o que esperar. Sentem-se inseguras e ansiosas, e quando se separam dos pais, vivem um stress intenso." "Os adultos transferem essa ansiedade para os seus relacionamentos." A Jordan acrescenta que os pais dessas crianças "podem alternar entre superproteção e rejeição ou ver as crianças como responsáveis pelos seus próprios sentimentos." A Peoples conclui que "essas crianças crescem acreditando que devem cuidar dos sentimentos dos outros, resultando em se tornarem dependentes e inseguras nos seus relacionamentos." ### Sinais de Apego Ansioso - Ciúme - Baixa autoestima - Medo de solidão - Necessidade de validação - Desconfiança - Medo de abandono ou rejeição - Sensação de que não Merecem amor • Hipersensibilidade na crítica ### A Apego Ansioso nas Relações A Peoples explica que os indivíduos com esse estilo frequentemente sentem que não merecem amor e buscam constantemente validação duradoura do parceiro. Eles assumem toda a responsabilidade pelas dificuldades do relacionamento e vivem com um medo intenso de abandono. Suas reações — ciúme, hipersensibilidade, necessidade excessiva de proximidade — são expressões desse medo. ## Apego Desorganizado A Peoples define o apego desorganizado como um padrão de comportamento inconsistente e dificuldade de confiança. A criança deseja proximidade, mas ao mesmo tempo teme-a. Os principais fatores contribuintes são: - Traumas infantis - Negligência - Maus-tratos - Medo dos pais Quando os cuidadores são uma fonte de insegurança e também de medo, a criança vive uma confusão interna. ### Sinais de Apego Desorganizado - Falta de confiança - Alto nível de ansiedade - Comportamentos contraditórios - Medo de rejeição - Dificuldade na regulação de emoções - Mistura de elementos de apego evitante e ansioso Jordan refere que esta forma está frequentemente associada a dificuldades psicológicas como: - Perturbações Disposição • Tensões autodestrutivas • Perturbação da identidade pessoal • Exaustões ### A Apego Desorganizado nas Relações As pessoas com este estilo frequentemente alternam entre afastamento e proximidade emocional excessiva. A Jordan descreve-o como «um contínuo equilíbrio entre a necessidade de independência e o medo da solidão, que provoca instabilidade e confusão em ambas as partes da relação». ### Como os Estilos de Apego Afetam Kristina Jordan salienta que nas relações românticas «inconscientemente procuramos do nosso parceiro a mesma preocupação ou segurança que recebemos — ou não recebemos — dos nossos pais». Assim, repetimos padrões sem os compreender, e que determinam o nosso comportamento em conflitos, nas expectativas e na forma como vivemos o amor. ## Podemos Mudar os Estilos de Apego A Peoples sublinha que a mudança é absolutamente possível: «O mais importante é reconhecermos o nosso padrão. Com autoconhecimento, terapia e relações saudáveis, podemos passar de um apego inseguro para um seguro. A segurança não é algo que temos ou não temos; é algo que se constrói com consistência, confiança e consciência».